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A alegria de uma tarde melancólica

  • Foto do escritor: Lorenzo Righi
    Lorenzo Righi
  • há 4 dias
  • 2 min de leitura

Imerso em devaneios mundanos, percebo que a nostalgia tem sido minha melhor companhia. Esse sentimento, caracterizado pela saudade de algo ou de alguém, tem permeado meus mais profundos pensamentos. As recordações de outrora, dos momentos da infância, permanecem vívidas em meu imaginário. Hoje, sentado à mesa do computador, combalido por um estado gripal, exercitei aquilo que mais me causa temor: o pensamento.

Meus raciocínios facilmente poderiam ser justificados pelo uso imoderado de álcool; todavia, esta justificativa não poderá ser utilizada devido à profusa quantidade de fármacos à minha volta. Se algo não tem solução, solucionado está… essa será minha justificativa.

Que saudade. Do futebol de rua após a aula. Da pausa da partida, para irromper com tamanho ímpeto às portas de casa, tal qual os gregos fizeram com os troianos, para comer um lanche com os amigos (creio que a hora do lanche não foi o motivo da dissidência entre gregos e troianos, mas fica a critério da imaginação dos leitores).

Saudade é o termo correto para exemplificar uma falta. Para me fazer perceber que, com o crescimento, o futebol foi deixado de lado. Substituído por rodas de conversas entre amigos nas calçadas de nossas respectivas casas. Assuntos variados. Extremamente complexos e, se mal respondidos, levariam a humanidade ao colapso.

Isso me faz muita falta.

Mas a falta se faz presente no momento em que, para nossos pais, disparávamos os principais impropérios. “Quero crescer para fazer coisas de adultos.” Essa foi a maior insensatez proferida por mim. Bem, hoje vivo a vida adulta. E, vivenciando esse mundo, creio que preferia o meu mundo de criança.

Sempre me considerei uma pessoa feliz, ou minimamente, um pouco mais feliz do que sou nos dias atuais. Todavia, é inevitável aceitar que a felicidade que um dia foi experimentada não retornará. Refiro-me, exclusivamente, àquele recorte temporal, que temos a sensação de tudo congelar, e torcer para que aquele evento, aquela cena, aquela atitude, nunca mais deixe de ocorrer. Temos a característica de querer transformar a vida em algo mais complexo do que ela realmente é (em algumas situações apenas, em outras, eu sou o primeiro a querer complicar), mas ela é simples. Absolutamente simples. Nossa alegria não será a mesma de outros tempos. Infelizmente. Devemos nos conscientizar, de que está tudo certo se não for assim.

Esse fato é o que deixa nossa existência mais bela. É o que permite buscarmos novas felicidades. Elas existem. Não as mesmas. As intensidades se modificarão, mas permanecerão conosco. Na contemplação daquele novo momento. Daquela nova alegria.

O tempo passa. E, por mais sutil que seja, deixa sua marca. Sua lembrança. Seu “recuerdo”. O farfalhar dos galhos das árvores nos torna introspectivos. Reflexivos. Pensantes. Isso atiça as lembranças. Memórias de outrora. De crianças felizes e despreocupadas. Vivendo na inércia de sua inocência. O mundo adulto nos deixa atônitos.

Quisera eu ter pensado isso à época. Ter entendido a importância de viver e me entregar àquele momento. Hoje, o que resta é a saudade. A tristeza mais feliz. “Quero crescer para fazer coisas de crianças”.

 
 
 

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